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Conviva melhor com seu filho

Por Danae Stephan

Um bom relacionamento com seu filho deve ser construído minuto a minuto e se renovar a cada etapa do desenvolvimento dele. A criança está descobrindo o mundo e suas necessidades e interesses mudam rápido. Cabe aos pais incentivar as conquistas e se adaptar às transformações. “Mas sem deixar de exercer a autoridade”, alerta o psicanalista Tiago Corbisier Matheus. Ele avisa que “educar implica oferecer ao mesmo tempo limites e acolhimento, regras e compreensão”. Do nascimento à adolescência, veja algumas sugestões para intensificar e tornar a convivência mais prazerosa para todos.

De 0 a 2 anos

O tempo do bebê é diferente do tempo do adulto. Para um recém-nascido, um dia é uma vida! Como nessa fase ele está formando suas ligações afetivas e construindo sua base emocional, a proximidade e o contato físico constantes são de extrema importância.
“Viva o cotidiano da criança cuidando pessoalmente dela”, sugere a psicóloga Regina Christina Wielenska. Ou seja, sempre que possível troque a fralda, alimente, dê banho, passeie, leia para o bebê e tire uma soneca ao seu lado.
Se falta tempo para ficar com o bebê, reconheça suas limitações, compartilhe as funções com outras pessoas e curta ao máximo os momentos que tiverem juntos.
Converse muito com o bebê. Assim, você mostra a ele um outro tipo de relação (que não implica contato físico) e estimula seu vocabulário.

De 2 a 4 anos

Nessa fase, a criança está descobrindo o ambiente doméstico. A casa vira um parque de diversões e tudo pode ser transformado em brinquedo. Guarde os objetos valiosos ou perigosos e compartilhe os outros com a criança, correndo o risco de que alguns sejam destruídos em nome do conhecimento.
Ir a zôos, parques e hotéis-fazenda para apresentar seu filho aos animais pode ser uma experiência única. Fale com ele sobre as diferenças e semelhanças entre os bichos.
Por volta dos 2 anos, a criança começa a treinar sua autonomia e a conhecer seu próprio corpo. É o momento de aprender a controlar o xixi e o cocô. Essa é uma conquista a ser incentivada, mas sem pressões ou cobranças.
O ideal é que o pai e a mãe se alternem ou compareçam juntos às consultas com o pediatra. Quem for sozinho não pode esquecer de manter o outro informado.
Veja TV e vídeo com seu filho e converse sobre o que vocês assistiram. Crianças ficam muito deslumbradas com as imagens nessa idade. Tenha cuidado com o que passa na tela: algumas cenas podem assustar.
Faça programas simples ao ar livre, como caminhar, lavar o carro ou fazer um piquenique no quintal (ou na área comum do prédio).

De 4 a 6 anos

Essa é a idade dos porquês. Ainda que você possa oferecer muitas respostas, deve ajudar seu filho a encontrar outras fontes de informação, como livros, internet e passeios.
A criança pode se tornar possessiva em relação ao pai e a mãe e ter ciúme dos irmãos e de outras pessoas. Curta a intimidade com seu filho, mas não deixe de lado os irmãozinhos e seus amigos. “A criança deve saber que ela não tem a supremacia sobre os pais”, afirma Tiago.
Incentive seu filho a trazer os amiguinhos para sua casa e a ir para a casa deles. Apenas esteja atento ao tipo de família que irá recebê-lo. Faça questão de levar e se coloque à disposição para buscá-lo caso queira voltar antes. “É normal que a criança estranhe ou demore um pouco para se acostumar a ficar longe dos pais, mesmo que por uma noite”, alerta a psicóloga Isabel Kahn Marin, de São Paulo.
Essa também é a fase de começar a estabelecer a identidade sexual. Portando, conversas sobre as diferenças entre homens e mulheres vão fazer sucesso. Também é importante dar respostas objetivas para as perguntas sobre sexo. Só não queira explicar tudo de uma vez. Os meninos geralmente mexem bastante no pipi. Ensine que isso é algo que pode fazer no quarto, em particular, não em público. Assim, ele terá a noção de que é natural, mas algo só dele.

De 6 a 8 anos

Seu filho vai querer se lançar para o mundo. Mas ele só vai conseguir conquistar uma maior autonomia se você der apoio e incentivo. Clubes, acampamentos e parques são locais seguros para treinar essa independência.
A criança começa a compreender as normas sociais. Estimule as brincadeiras e jogos em que ela tem que seguir regras e se relacionar com outras crianças. É uma forma de oferecer oportunidades para que ela construa novas aptidões.
É o momento de despertar o interesse de seu filho por música, livros e jogos. Que tal ler, ouvir música, jogar bola ou videogame com ele? Fique ligada para conhecer suas preferências e aptidões.
Os amigos ganham mais importância. É fundamental dar liberdade para que seu filho se divirta com eles. E fique à disposição para levá-los ao clube, ao cinema, à casa de outro amigo, à lanchonete… A fase dos pais motoristas começou. Relaxe e aproveite para conhecer os amigos e diverti-los.
Respeite a capacidade de pensar da criança. Ela já é capaz de avaliar e julgar. Tente identificar o que a levou a tirar conclusões sobre um determinado assunto e demonstre interesse pelo que ela pensa. Adapte sua linguagem à dela, mas sem cair no tatibitate.

De 8 a 10 anos

Agora que a puberdade está chegando, a excitação social aumenta. Seu filho vai querer freqüentar bailinhos, mas não há com o que se preocupar. Provavelmente as meninas vão ficar dançando e os meninos vão se juntar num canto para jogar videogame. Trate de levar, trazer e ouvir comentários sobre a festinha.
Bata um papo sobre as mudanças corporais e hormonais que em breve vão ocorrer. O natural é que o menino prefira conversar com o pai e a menina com a mãe, mas essa barreira pode ser transposta com naturalidade. Não force o assunto, mas fique disponível. “Dê explicações gradualmente, de acordo com a curiosidade dele”, aconselha Tiago.
É hora de dar um pouco mais de liberdade. Deixe seu filho sair com os amigos para locais próximos e seguros, mas sob marcação cerrada. É importante saber onde ele foi, com quem e a que horas volta.

De 10 a 12 anos

O pré-adolescente em geral se acha o dono da verdade. Ouça o que ele tem a dizer, mas deixe claro que você também sabe das coisas e é mais experiente.
Você ganhará muitos pontos com seu filho ao contar como foi sua puberdade. Pesquise o assunto em livros e aproveite para discutir com ele as transformações físicas, sempre como alguém que também passou por isso. Mas saiba respeitar a privacidade dele.
Ele quer ampliar os horizontes e vai adorar fazer programas diferentes com você, como uma viagem para um lugar diferente, uma pescaria ou uma aventura ecológica.

Adolescentes
O adolescente muitas vezes precisa criticar e desqualificar os pais. Isso faz parte do seu processo de conquista da autonomia e busca de novas referências de comportamento. “Ainda que os pais não concordem com suas atitudes, é importante que estejam próximos do filho e o aceitem”, afirma Tiago. As conversas e negociações são de extrema importância nessa fase, pois o adolescente já não aceita regras sem justificativas.
Agora é mais importante do que nunca conhecer os amigos do seu filho, saber seus nomes ou apelidos. Sempre que for buscá-lo, ofereça carona para eles. Você terá mais chance de ficar com ele se virar o pai amigão da turma.
Não critique as músicas e bandas preferidas do seu filho. Não há melhor forma de se distanciar dele. Ao contrário, converse sobre o assunto e tente entender o que ele admira nos ídolos.
Jamais critique, menospreze a opinião ou fale dos defeitos de seu filho na frente dos amigos dele. Aponte seus erros só quando estiverem a sós.
“Uma das chaves para conquistar um adolescente é estabelecer um bom diálogo com ele, prestando atenção no que ele tem a dizer e nas suas razões”, explica o psiquiatra Içami Tiba . “Eles adoram se relacionar, é só abrir o canal”, completa. Esse contato ajuda você a monitorar seu comportamento em relação a questões que sempre preocupam os pais, como as drogas.

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