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Reflexão sobre Desarmamento

Cientificamente falando, se uma solução estiver concentrada, desejando que ela não se sature, a melhor forma para evitar que isto aconteça, é não colocar mais do mesmo componente na solução.

Uma comida salgada não diminui o tempero colocando mais sal. O mesmo ocorre com o café muito doce, não reduz o doce colocando mais açúcar ou adoçante.

Se quiser reduzir o número de telefones celulares em poder da população (inclui pessoas de bem e os bandidos) é só dificultar o acesso dos mesmos à população.
Se deseja reduzir o número de carros nas ruas o raciocínio é o mesmo, basta aumentar o preço dos carros e/ou do combustível.

Não é facilitando o acesso com ofertas, preços baixos e parcelamentos a perderem de vista que vai diminuir a concentração de bens ou serviços. Não é proibindo a comercialização de carro e/ou do combustível que vai aumentar a frota. Ao contrário, estamos vivendo num país onde à lógica não existe. Quando o Brasil quis aumentar a frota de carros a álcool, incentivou as usinas produzirem o etanol. Retirado o incentivo, passaram a produzir açúcar e a frota reduziu.

O combustível está para o veículo, assim como a munição está para a arma. Arma sem munição é como carro sem combustível, não atinge seu objetivo, por conseguinte, ninguém quer. O controle da venda de armas foi definido pela Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 e regulamentada pelo Decreto nº 5.123/2004. O que se discute é a restrição da venda de munição. O que mata não é a arma fabricada no Brasil ou contrabandeada de outros países. O que mata é, o que sai de dentro delas, a “MUNIÇÃO”.

O desarmamento, ressalvado aos amparados pela Constituição/1988, é para todos: homens e mulheres, bandidos ou não.

Arma não importa onde foi fabricada, se no Brasil ou exterior, se aquisição foi legal ou ilegal, contrabandeada ou não, de uso permitido ou restrito, armas químicas ou não, nas mãos de homens de bem, honrado, equilibrado e treinado, arma é um perigo e, nas mãos de bandidos, “é uma catástrofe”. Arma não serve para curar a ninguém que esteja doente, não alimenta quem tem fone, arma municiada mata, impunidade enterra e “a morte não educa quem mata nem ensina a quem morre”.

As principais vítimas são as mulheres. Não é sem motivo, que maioria delas teme armas de fogo. Sofre com arma nas mãos do companheiro, namorado e do marido quando enfurecido. Transformando quem dorme, ao seu lado em: inimigo, assassino, e ela, em vítima. Sofre quando o marido/companheiro se torna vítima de arma. Sofre quando a família se destrói vítima de arma. Sofre quando a mãe traz, no negro das vestes, o sentimento de coração partido e enlutado por ver o filho, ferido, dilacerado, cuja vida, ceifada por arma de fogo.

Caminhada pela Paz: Manifestação a favor do desarmamento e contra a impunidade. 2005

Não é sem motivo que as mães angustiadas, que traziam a marca do sofrimento, percorreram os principais centros do Brasil. Foram a Brasília/DF, bateram às portas do Congresso Nacional e recebidas também pelo Governo Federal. Graças às bravas senhoras, o Governo via Ministério da Justiça e Ministério da Defesa enviou ao Legislativo um projeto de Lei que resultou no Estatuto do Desarmamento, como ficou conhecida a Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003. Regulamentada pelo Decreto nº 5.123/2004.    

Senhores e senhoras, pensem. Dizem que de arrependidos o inferno está cheio. Prefiro dizer as cadeias. Espero que nossas ruas não se transformem em redutos de eternos arrependidos por permitirem que os próprios defensores, seus entes queridos, amigos ou qualquer cidadão de bem, se transforme em criminoso ou pior, em cadáver por armas tantas vezes defendidas, às vezes, de forma insana.

É preciso mostrar para frente do “NÃO”, fatos incontestáveis, ao contrário, eles vão ganhar terreno usando inverdades. Já usaram até o Ministro da Justiça. Você acredita que vão poupar alguém?

Caminhada pela Paz: Manifestação a favor do desarmamento e contra a impunidade. 2005

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