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Einstein errou?

Esta matéria, publicada na íntegra, de inteira responsabilidade do autor, é uma contribuição recebida por e-mail e não representa, necessariamente, o espírito da campanha, mas esclarecedora.

Por Carlos Eduardo Rios do Amaral

Diz a lenda que certa vez perguntaram a Albert Einstein como seria a 3ª Guerra Mundial. Tomado pela lembrança das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki em Agosto de 1945 teria respondido:

“Não sei como será a Terceira Guerra Mundial, mas poderei vos dizer como será a Quarta: com paus e pedras”.

Não sei se realmente o gênio alemão disse essa sentença, mas todos nós no Século XX tínhamos essa certeza num mundo dividido entre as superpotências, Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, cada uma com seu gigantesco arsenal nuclear. O diretor Nicholas Meyer bem retratou em The Day After (1983) nossas derradeiras expectativas sobre a Guerra-Fria.

A Perestroika e a Glasnost de Gorbachev, a queda do muro de Berlim em 1989, seguida da desintegração da URSS, fez o mundo respirar aliviado com relação ao apocalipse nuclear futuro. A Terra sobreviveu ao Século XX e sua chamada “Era da Catástrofe 1914-1945” (Eric Hobsbawm). A pax norte-americana cintilava em todos os paralelos e meridianos.

Entretanto, o Século XXI inaugura nova estratégia militar: a guerra digital. Exércitos, tanques, navios e aviões de guerra foram substituídos pela tecla “Enter”. Em 2021, ninguém ignora o assustador e imensurável poder da Internet e da conexão móvel. Se comunicação é poder, agora os senhores da guerra possuem poder ilimitado, senão quase divino.

Esse poder extraordinário e fascinante da guerra digital prenuncia que não teremos mais Waterloo, Stalingrado ou Iwo Jima. As campanhas de guerra não serão mais travadas em campos de batalha, mas nas telas de nossos laptops e celulares. A nossa mente é o alvo dessa artilharia, nossas sensações de medo e felicidade o bunker a ser explorado pelo fogo inimigo, a cada segundo.

Não teremos mais execuções sumárias de Romanov, Ceaușescu ou Aquino. A guerra digital fuzilará impiedosamente a vida privada, a honra e a moral de reis e presidentes, tornando-os verdadeiros cadáveres políticos a ser devorados pelas famintas hienas das redes sociais e outras alcateias de vida espartana. Bombardeios por memes, rajadas de metralhadoras por viralizações, snipers por disparo em massa de mensagens, a bomba atômica pela temível fake news. Um arsenal militar transnacional e invencível concluso aos donos do mundo, “cancelando” qualquer potencial inimigo.

Einstein errou? Não sei. Talvez quanto a qual guerra futura será de “paus e pedras”. O que aprenderemos com a guerra digital? Como será o seu pós-guerra? Pessoalmente, espero que a humanidade encontre um caminho de respeito às diferenças e de sincera empatia a todas as criaturas.

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Carlos Eduardo Rios do Amaral é Defensor Público do Estado do Espírito Santo

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